Inflação está acima do esperado no Brasil' destaca Banco Central


3 min de leitura
15 Dec
15Dec

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central destacou que a inflação do Brasilestá "acima do esperado" e que em dezembro a tendência é que o movimento continue alto.

Segundo o Copom, a alta deve ser puxada principalmente por gastos com mensalidades escolares e pelo aumento na bandeira tarifária da conta de luz.

“Apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue monitorando sua evolução com atenção, em particular as medidas de inflação subjacente”, disse o comitê.

Desta forma, de acordo com o Copom, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2020 está em 4,3% e não há previsão de uma baixa substancial sendo que para 2021, a projeção está em 3,5% e para 2022 está em 4%.

Além disso, a segunda onda de Covid-19 ainda vai impactar a atividade econômica nacional que também sofrerá uma desaceleração por conta do cenário externo.

“a ressurgência da pandemia em algumas das principais economias tem revertido os ganhos na mobilidade e deverá afetar a atividade econômica no curto prazo", disse.

Brasil vive incerteza

Já em relação à atividade econômica brasileira, a ata do Copom registra que os indicadores recentes sugerem a continuidade da recuperação desigual entre setores, em linha com o esperado.

“Contudo, prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais.”

O Copom avalia que um cenário de “ociosidade” na economia, pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado, notadamente quando essa ociosidade está concentrada no setor de serviços.

"Esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional", diz a ata.

Em outro cenário, o Copom avalia que um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar a inflação acima do projetado.

“Prospectivamente, a pouca previsibilidade associada à evolução da pandemia e ao necessário ajuste dos gastos públicos a partir de 2021 aumenta a incerteza sobre a continuidade da retomada da atividade econômica. O Comitê ponderou que os riscos associados à evolução da pandemia podem implicar um cenário doméstico caracterizado por uma retomada ainda mais gradual”, diz a ata.

O Copom defende que é necessário perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira para permitir a recuperação sustentável da economia.

O comitê avalia ainda que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.

Selic em 2% afeta rentabilidade de investimentos

Na reunião, o Copom discutiu ainda a manutenção da Selic em 2% ao ano, por meio do chamado forward guidance, que condiciona a não elevação dos juros à manutenção do atual regime fiscal.

Na ata, o Copom registra que o atual nível de estímulo monetário, produzido pela manutenção da taxa básica de juros em 2% ao ano e pelo forward guidance, está adequado.

De acordo com o comitê, alterações de política fiscal que afetem a trajetória da dívida pública ou comprometam a âncora fiscal poderiam motivar uma alta na Selic, "mesmo que o teto dos gastos ainda esteja nominalmente mantido''.

“Assim sendo, o Comitê decidiu adicionar à sua comunicação que, embora haja a possibilidade de o forward guidance ser retirado em breve, isso não implicaria mecanicamente aumento de juros”.

Com a decisão do BC, muitos investimentos no país terão sua rentabilidade 'afundada' pois estão relacionados com a Selic, um dos casos mais afetados é a poupança que passa a ter rendimento negativo, ou seja, ao invés de lucro, acaba 'dando' prejuízo.

No caso da poupança, o investimento adotou uma nova regra desde que a Selic chegou a 2,5% e agora ela rende 70% da taxa Selic enquanto ela estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Assim, quando a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança vai render 0,5% ao mês + TR, assim como era antes da nova regra.

Porém, este ano, com o rendimento atualizado da modalidade, ela passa a ser de 1,575% ao ano.

O que significa que, caso o investimento seja de R$ 1 mil, o retorno em 12 meses será de R$ 15,75 em todo o período.

Brasil já sofre com aumento de preços

Falta menos de um mês para o início de 2021 e a inflação já ‘bate na porta’ do Brasil. Confirmando a previsão do economista Manoj Pradhan, a inflação no Brasil pode fechar 2020 em 4,3%, segundo projeções do mercado.

O IPCA-15, que mede o preço de alguns alimentos no mercado registrou somente em outubro um aumento de 0,94%. Conforme noticiou o Cointelegraph, a alta desse índice foi a maior já registrada nos últimos 25 anos.

A disparada do índice que mede a inflação já é considerada um problema para o Brasil, onde o aumento de preços é realidade nas prateleiras dos mercados. Até outubro, por exemplo, o óleo de soja havia aumentado 22,34%, assim como prevê o economista que espera “um banho de sangue” com a alta dos preços provocada pela inflação.

Bitcoin

Desta forma, com uma projeção econômica não muito favorável à retomada da economia no país, especialistas têm indicado investimento em Bitcoin para preservar o valor do dinheiro.

O Bitcoin se destaca como um ativo anti-inflação, justamente pelo seu suprimento total limitado a exatamente 21 milhões de unidades.

Depois de emitida esta quantidade de moedas, o próprio software se encarregará de impedir a emissão de qualquer unidade adicional. Nenhum banco central no mundo possui essa característica.

"O que temos visto, tanto no Brasil e no resto do mundo é a impressora estatal imprimindo cada vez mais papel para fazer frente à demanda por mais dinheiro para pagar os custos da pandemia. Os EUA imprimiram mais de US$ 10 trilhões para financiar empresas e cobrir os custos da pandemia", destaca Leandro França de Mello, criador da EXP Codes, startup focada em TI, Big data e IA e do site Cryptowatch.

Assim, segundo ele, um dos principais benefícios do Bitcoin é justamente sua proteção contra a inflação e, desta forma, ajudar investidores a preservar o valor de seu dinheiro.

"O benefício econômico mais importante do Bitcoin talvez seja a proteção dos seus usuários contra a inflação. Pois enquanto o dinheiro estatal sofre o fenômeno inflacionário diminuindo o poder de compra de bens ou serviços. Adotando o Bitcoin, mesmo que não seja como meio de troca, mas como reserva de valor, os efeitos deletérios da inflação monetária protegeriam a poupança do investidor", destaca.